Real relevância do "Curtir"
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Qual é a real relevância do “Curtir”?

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Likes PositivosAtravés de minha própria experiência em trabalhar com mídias sociais percebi certa divergência conceitual na ação de um usuário Curtir uma fanpage (página no Facebook). Quem era da época das “Comunidades“ do Orkut? Podemos lembrar que, de “comunidade” estava só no nome, afinal, usávamos unicamente como forma de identificar um gosto ou apoio a uma causa. Dentro destas comunidades havia uma série de possibilidades para interação entre os usuários, porém raramente algo acontecia. Tenho lembranças de exemplos como “Nascidos em 1978”, “Gosto da comida da Tia Lúcia”, “Sou preguiçoso” (opa, não é meu caso) entre outras comunidades que apenas representavam uma época, um gosto ou uma maneira de ser. Era triste saber que 90% de todas as Comunidades do Orkut, em sua essência, não significavam nada para as pessoas, meros nomes lançados em um espaço desorganizado. Enfim, essa era a idéia da época, uma onda na qual todos acabaram pegando. Não tinha como escapar.

O Orkut morreu junto com suas comunidades. Quem aqui -ainda- usa o Orkut mantendo fielmente sua participação? Acho que não vou encontrar… Bom, se encontrar apresentarei algumas outras novidades, ok?

Em minha opinião, vejo o nascimento do Facebook através dos erros do Orkut, tiro certeiro. Após a explosão de usuários em todo o mundo, as empresas começaram a enxergar uma enorme possibilidade de publicidade sobre este novo canal. Da mesma forma, essas empresas entraram massivamente nesse contexto, porém em forma de perfis (por mais que fosse considerado comum na época). Após alguns meses foi criada uma forma de conseguirem realizar suas publicações “como empresas”, o cenário mudou. Então começa uma nova guerra para impedir que empresas mal informadas criassem perfis ao invés de fanpages, lembra-se? Nesse meio tempo de transição, a interatividade entre perfis e fanpages era maravilhosamente perfeita. O velho -e usado- conceito de Comunidades do Orkut havia sido finalmente enterrado e lacrado.

Morte do Orkut

Passado alguns bons meses, as fanpages, ou “páginas no Facebook”, se tornaram fortes pilares de sustentação, nada poderia mudar essa situação: a interatividade era constante. Agora o ponto onde gostaria de chegar. Pense um pouco sobre isso: O que leva você a Curtir uma fanpage? O que te chama atenção para isso? Será que você curte uma página de “cerveja” só porque gosta daquela marca, ou porque você quer acompanhar seu conteúdo? Você pretende acessar a fanpage periodicamente para conhecer as novidades da empresa? Você chega a ler -em detalhes- as publicações quando estas aparecem em seu feed de atualizações? As respostas a estas perguntas podem nos levar a um lugar perigoso: será que o velho conceito de Comunidades do Orkut está ressurgindo? Eu não acredito que o Facebook deixaria isso acontecer, mas tenho notado falsos interesses por aí. Vejo que o Curtir talvez não passe de uma singela identificação sobre o assunto, ou seja, os usuários não possuem interesse em acompanhar as atualizações destas páginas. Por outro lado, vejo profissionais em mídias sociais lutando contra este desinteresse, trazendo sempre promoções e informações relevantes aos usuários.

Likes NegativosHoje em dia não considero o Curtir (Like) relevante por si só. Uma prova disso é o que acontece nas campanhas pagas (publicidade) no Facebook. Se você pagar para que sua fanpage apareça na lateral dos perfis dos usuários, conseguirá muitos Likes, o alcance será grande, porém a interatividade será mínima, mesmo restringindo os usuários. Nas minhas campanhas consegui centenas de Likes em algumas horas, porém pouca participação, mesmo gerando conteúdo dentro de uma periodicidade aceitável. Foram necessárias outras estratégias para que houvesse participação.

Já participei de discussões polêmicas sobre empresas que criam promoções específicas para Facebook, com o único motivo de conseguir Likes. Com toda certeza você já viu ou participou de alguma dessas. Por exemplo, “Ganhe um iPad! Para participar da promoção você precisa curtir e compartilhar nossa página no Facebook.” Se identificou? Hoje penso que esta prática acaba banalizando o real objetivo das fanpages, afinal, obviamente vou curtir somente para participar da promoção. Chegamos a uma conclusão simples sobre isso, empresas que realizam este tipo de prática devem considerar apenas 20% a 30% do total de Likes, ou seja, pessoas que de fato se interessam.

Infelizmente, aos poucos estamos caindo no velho conceito, e muitas fanpages (ou empresas) colaboram para isso. Queria alertar os leitores desta prática. Por mais que, promoções baseadas em Likes beneficiem os próprios usuários, será que realmente vale a pena entrar nessa roubada e acabar prostituindo nosso conteúdo? O “Like” deve ser consciente pelo conteúdo, e não por um interesse material e momentâneo. O que você acha?

Sobre o autor / 

Daniel Accorsi

Analista Web/Sistemas formado em 2004 pela Universidade UniFil em Londrina/PR, MBA em Marketing Digital e Gestão de Projetos Web, blogueiro, desenvolvedor Kinect e fotografia como hobby. Me encontre no Twitter - @DanielAccorsi

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