Comportamento, Saúde

Na guerra contra o fumo

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Mais de 100 mil brasileiros morrem a cada ano por causa do tabagismo

Na Guerra Contra o FumoOficialmente, a data é 29 de agosto. Mas o Combate ao Fumo está longe de acabar e a luta diária é imprescindível para salvar vidas.
Considerado um grave problema de saúde pública, o tabagismo é a principal causa de morte evitável. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que existem 1,3 bilhões de fumantes no mundo. No Brasil, são cerca de 20 milhões, em que 15,1% desta população têm mais de 15 anos de idade, sendo 17,9% homens e 12,7% mulheres. A prevalência do vício entre escolares é de 11 a 27% para o sexo masculino e 9 a 24% para o feminino.

Dr. Icanor RibeiroA dependência química pelo consumo dos derivados do tabaco é comprovada pela ciência, comprometendo seus usuários a desenvolverem diversas doenças, algumas graves, incapacitantes e fatais, como Acidente Vascular Cerebral (AVC – o derrame), o infarto do miocárdio, câncer de boca, faringe, laringe, nos pulmões, além de bronquite crônica, enfisema pulmonar e outras patologias.
Pesquisas estimam que 60% dos que fumam por mais de 6 semanas continuarão o vício por mais de 30 anos. A queima de um único cigarro libera o monóxido de carbono e mais de 4.700 substâncias tóxicas, muitas delas cancerígenas, como o arsênico, níquel, benzopireno, cádmio, chumbo e resíduos de agrotóxicos. Contrariando as expectativas dos “fumantes sociais”, que acreditam não correrem risco por acenderem o cigarro só de vez em quando, não existe um número seguro que descaracterize a dependência. O consumo de 5 cigarros por dia já pode apontar o vício.
Vale a pena parar de fumar? Para o cardiologista Icanor Ribeiro, do Instituto de Doenças do Coração de Londrina (InCor), se comparadas às pessoas que continuam fumando, àquelas que deixam de fumar antes dos 50 anos de idade e permanecem em abstinência por mais de 15 anos, reduzem cerca de 50% dos fatores de risco de morte por doenças relacionadas ao tabagismo. “O risco de morte por câncer de pulmão diminui entre 30% e 50% após 10 anos sem fumar. Já os riscos de doenças cardiovasculares caem pela metade após um ano de abstinência”, incentiva o médico.
Três fatores básicos configuram a dependência da nicotina: a física, responsável pelos sintomas de abstinência quando se deixa de fumar. A psicológica, responsável pela sensação de ter o cigarro como “apoio” e prazer em momentos de tensão, estresse e solidão. E o condicionamento, representado por associações com os hábitos do cotidiano, como fumar e consumir bebidas alcoólicas, fumar após as refeições, fumar ao tomar café ou ao falar ao telefone etc.. “O tratamento do fumante tem como eixo principal a abordagem motivacional com a finalidade de interferir na dependência psicológica e nos condicionamentos associados ao hábito de fumar. Por isso, essa abordagem poderá ser mais eficaz com o auxílio de medicamentos que diminuem os sintomas da síndrome de abstinência, para os casos de alto grau de dependência”, explica Dr.Icanor.

Nicotiana TabacumSegundo o médico, as mulheres são mais vulneráveis às doenças decorrentes do cigarro. O uso de alguns medicamentos, como os contraceptivos orais, associados ao tabagismo, potencializam os riscos em 10 vezes mais para o infarto, embolia pulmonar e trombose, por exemplo.
Outra preocupação se dá com os filhos de pais fumantes. Além de estarem mais suscetíveis ao “exemplo”, esses fumantes passivos – pessoas que não fumam, mas convivem e compartilham dos mesmos ambientes enquanto outra pessoa fuma – aumentam os riscos de doenças cardiovasculares e eleva em 30% as chances de câncer de pulmão, em 24% de infarto do miocárdio e aumenta em 5 vezes as chances de morte súbita infantil. “É imprescindível um trabalho maciço para a mudança de comportamento desde a infância, nas escolas, combatendo este mal terrível que leva à morte, precocemente, milhares de pessoas todos os anos. A consciência começa dentro de casa e é responsabilidade do adulto zelar por hábitos saudáveis”, defendo o cardiologista.

* Dr. Icanor Ribeiro, CRM 4932, é cardiologista em Londrina, PR. Graduado pela Faculdade Federal de Medicina do Triângulo Mineiro, em 1972. Residência em Clínica Médica no Hospital das Clínicas da FMUSP e em Cardiologia no InCor da FMUSP. Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e em Terapia Intensiva pela Associação Médica Brasileira. Chefe da Unidade Coronariana do Hospital Evangélico de Londrina.

 

Sobre o autor / 

Adriana Marques

Formada em Comunicação Social, Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina, especialista em Administração de Marketing com Ênfase em Serviços pela Universidade Norte do Paraná e MBA em Marketing Digital e Administração de Projetos Web pela Faculdade Pitágoras. Há mais de 14 anos atua como assessora de imprensa e comunicação para segmentos diversos, com destaque para tecnologia e saúde.

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